Anacronia

 

Quando comecei a entender o mundo um pouco melhor, os vizinhos argentinos batiam panelas nas ruas reivindicando melhores condições de vida, menos desemprego e menos inflação. Eles viviam um momento de crise – e foi assim que essa palavra foi sendo construída na minha cabeça.

É incrível a capacidade que temos de aprender coisas novas mesmo com as coisas que já conhecemos e os filmes que já vimos.  Tenho notado que aprendi, então, a lidar com a palavra crise. Que não é mais crise conjugal, nem política, nem econômica, nem a dos 40. Descobri, por exemplo, que países em crise são os mais criativos – porque possuem menos recursos para encontrarem soluções para seus problemas. Descobri também que, na política, quando há consenso, há status quo e as mudanças são mais difíceis. E onde há crise e conflito, as mudanças são livres e desapegadas. Aprendi então que a crise é livre e que o caos sempre constrói algo novo.

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