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Aridez

Aridez

Quando voltei de viagem, o clima era seco. Não chovia há mais de dois meses na minha cidade. Era difícil respirar, eu chiava e a garganta arranhava. Em tese, vivíamos o inverno. No Facebook, em meio ao calor de inúmeras mobilizações, que motivaram a revista Times a eleger o “manifestante” como a personalidade do ano, foi criado o evento: Marcha pela Chuva. Dia 7 de setembro, pelas ruas de BH. Pensei em prometer sair correndo pelada no meio da avenida Antônio Carlos, se a chuva voltasse para o nosso lar.  Seguiu o seco. Depois, prometi de fato: eu nunca mais ia reclamar da chuva quando ela voltasse. E não ia render mais essa conversa que faz nossa vida parecer um eterno vai-e-vem de uma conversa de elevador. Ta quente hoje, né?

Em Belo Horizonte chove há, pelo menos, uma semana. Insistente, não para, não descansa e, quando resolvo sair de casa, fica mais forte. Ouvi dizer que se cachaça é água, São Pedro está dando uma festa open bar. Eu ri, mas não me diverti. Faz um frio úmido, meu pé fica gelado e eu amaldiçôo o dia que comecei a trabalhar às 7, bem longe da minha casa. As arvores caindo, sinais sem funcionar, trânsito caótico. Na madrugada de sábado, enquanto corria para minha cama quentinha, vi um casal dançando no meio da minha rua, naqueles pingos doídos. Pensei em gritar: “Ei, ou, ta frio aqui, não?”

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O seco te sufoca enquanto a chuva mede o caos

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