E o mundo não se acabou

Olharia para trás e diria que 2011 foi meu all-in. Conheci quase 30 cidades em dois continentes, trabalhei mais de 12 horas por dia durante meses, fiz amizades nas línguas mais inesperadas, tive dois namorados muito diferentes. Dormi: no aeroporto, nas ramblas de Barcelona, no Saara, no bairro de imigrantes de Londres, num antro de mofo em Paris, na mesa do restaurante e na casa de muita gente que nunca mais vou ver na vida. Acordei escutando as músicas italianas preferidas da minha companheira de apê turca, enquanto os espanhóis gritavam e – por incrível que pareça, conversavam – pelas janelas do meu prédio. Estranhei os barulhos vindos do quarto da minha doce vizinha italiana, que recebia seu namorado de dois em dois meses – um Don Corleone napolitano que pesava, aproximadamente, 200kg. O que eles faziam e como faziam, nunca quis imaginar.

Estudei fotografia, culinária e rádio. Conheci gente nova, fiz um irmão-melhor-amigo-para-toda-vida, soltei pipa às 7h da manhã em um sítio de desconhecidos, revi amigos. Chorei: no Skype, no aeroporto, no Skype, na cozinha, no telefone, na estação de trem, no Marrocos, cortando cebolas. Aprendi a fazer: mousse de morango e chocolate, torta de frango, tortilla de patatas, macarrão, macarrão, macarrão, crepe, revueltos de championes, pan com tomates, strogonoff de camarão, frango ao curry.

De 2011, eu me lembraria das conquistas. Foi o ano que eu resolvi experimentar de tudo, sem ter medo. Levei tombos gigantes, mas sinto orgulho. Eu vi meu avô voltar a ser, milagrosamente, saudável. Vi meu coração, que batia monótono e cansado, deixar um amor forasteiro entrar e abalar minhas certezas. E, me vi correndo atrás quando achei o que queria. Vi minhas dúvidas com escolhas profissionais irem e voltarem mil vezes, me vi tentando em todas elas. E vi que trouxe para 2012 muito mais do que sei reconhecer. 2011 me fez meio Adriana Calcanhotto, beijando a boca de quem não devia, pegando na mão de quem não conhecia, dançando um samba em traje de maiô.

No fim, o mundo não acabou. O que vou dizer ao final de 2012, eu não sei. Mas sei o que espero: mais limites. Menos trabalho e mais qualidade, menos maratonas de eventos sociais aos finais de semana, mais horas de sono, mais vontade de ficar quietinha, menos camas diferentes, aeroportos e mochilas pesadas, menos aventuras emocionais. Menos vontade de engolir o mundo, mais vontade de um abraço gostoso. Se em 2011 eu quis não ter casa, em 2012 eu quero. Uma bem quentinha, aconchegante, com catraca seletiva na porta e uma janela bem grande na frente.

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