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Ele e Ela

Ele e Ela

“O amor é fascinante porque, sem nos avisar, ele nos faz lembrar daquilo que realmente somos a todo o momento”, li um dia. E isso me fez pensar. Eu sou uma pessoa de natureza curiosíssima e inquieta. Desde que saí do raio em que a escola me circulava e entrei na faculdade de jornalismo, dei gás a esse lado de forma desenfreada. Isso significa que fiz mais estágios do que o normal, mais viagens do que o normal e preenchi meus supostos tempos livres com cursos: fiz curso de rádio, de fotografia, culinária, jornalismo cultural, História da América Latina, automaquiagem, Políticas Públicas, Orçamento e PPAG, e, mês passado, um de ovos de Páscoa porque, né, foco não é o meu forte. Nesse mesmo período, meu namorado trocou poucas vezes de estágio e fez um curso breve de cinema enquanto vivia em Buenos Aires, por minha livre e espontânea pressão – afinal de contas os estudos e produção em cinema ali são maravilhosos e ele não poderia perder essa oportunidade. Também nesse tempo, ele deve ter lido uns cem livros, além de ter se dedicado ao meio acadêmico. Nesse descompasso, que também prevê nossas idas e vindas, crescemos juntos, unidos pela nossa busca constante por aprender coisas novas – do mundo real, que mais parece uma ficção, ou do fictício, preenchido por uma densidade mais que real. Olhar para a forma como ele leva a vida dele me faz pensar na minha.

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Em uma das aulas do curso de jornalismo cultural do Grupo Galpão há alguns anos, a ‘professora’ fez um comentário interessante, que guardei comigo. Ela dizia da passagem de um livro em que o autor comparava o funcionamento de relacionamentos como casais envoltos por um elástico. Os dois andam sempre juntos dentro do limite do elástico – quando um fica para trás, o outro empurra e eles caminham na mesma direção. E a nossa história é mesmo assim. Nossos passos têm ritmos diferentes e nosso elástico é bem soltinho e espaçoso, onde cabem os diferentes países que vivemos sozinhos e as memórias que não compartilhamos juntos. Por duas vezes, eu quis sair voando dessa cordinha para me aventurar no além-mar dos elásticos. Voltei, e encontrei abrigo. A verdade é que, quando olho para trás, vejo um elástico solto, mas forte, com um compartimento especial para segurar nossos pezinhos e não nos deixar voar tão longe. E um cantinho especial para o descanso nosso.

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