Eu sô[free]

 

Primeiro me perguntaram se houve um barraco. “Não”.

Perguntaram se eu tinha certeza e que eu não precisaria ter vergonha de assumir. “Não”

Então algum motivo tem que ter.

Foi consenso o que ouvi quando desavisados me perguntavam o porquê de não me encontrarem mais no Facebook. Chegamos ao ridículo de questionar, antes de tudo, “o que eu fiz de errado”, quando uma pessoa some do nosso círculo de amizades virtual, aquele espaço onde nossa vida se estende. Tendo explicado que era uma escolha e que, não, não tinha nenhum barraco, fui idolatrada. Virei hype, entrei  na contramão do mundo. Fui parabenizada por sair de uma rede como se tivesse fugido de Guantánamo ou como se tivesse desmascarado todo o plano subliminar de manipulação da TV, que há anos persegue e hipnotiza pobres telespectadores. Fui admirada como se não vivesse em um mundo bizarro o bastante. Algo como, um mundo em que canibais matam pessoas para fazerem coxinhas e empadinhas para vender.

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