Hope you guess my name

Quando voltei de viagem, fiz uma entrevista de emprego com um jornalista conhecido, que já tinha trabalhado como editor em um “grande” jornal do estado. Como eu tinha sido indicada para aquele cargo, a entrevista resultou em contratação sem muitas delongas. Meu novo chefe contou sobre o “grande projeto” em parceria com o “grande jornal”, tudo intermediado por um “grande nome” do jornalismo mineiro. Nunca entendi muito bem aquelas confusões mas, cada vez que eu pensava em desconfiar de algo, meu – graças a Deus – ex chefe aparecia com uma novidade revolucionária. O final, previsível, é que o “grande nome” do “grande jornal mineiro” que ele se apoiava mudou de jornal, e meu amado ex-chefe virou peixe pequeno.  Pequeno ele, minúscula eu. Fui embora daquele projeto falido com metade de um salário e uma esteira de corrida para cobrir o restante. O que eu senti naquela época foi uma mistura de pena, por aquele cara que se deixou levar pela vaidade de um bom contato e raiva, por ele ter me colocado naquela confusão.

Pouco tempo depois outro “grande nome” do jornalismo mineiro comentou com meu namorado que lhe arrumaria um emprego tão pronto ele formasse. Dito e feito, ele foi contratado, em pouco tempo, em uma agência e sem muitas delongas. A cada observação da falta de organização do lugar, os gestores apareciam com um novo contrato “sensacional” que logo seria fechado e modificaria toda a estrutura de trabalho do local. De uma hora para outra, o “grande nome” anunciou mudanças estratégicas e meu namorado tomou um novo rumo. O que ele sentiu, eu não poderia definir, mas garantiria que foi algo parecido. A vantagem, no entanto, foi o pagamento em dia.

Recordo tudo isso devido ao que me aconteceu essa semana. Por motivos profissionais, tive que encontrar com um “grande nome” do jornalismo mineiro, com passagem pelos maiores jornais de Belo Horizonte. Ele chegou e sentou, contando as glórias da nova revista que tinha lançado. Ouvi com atenção. Ele contou sobre todos os grandes contatos que tinha, sobre os grandes empreendimentos que participou. Por fim, contou também da revista que criou anteriormente, quando “sofreu um cano”, e então, finalmente, colocou as cartas na mesa:  explicitou o interesse em encontrar “patrocinadores” para o novo veículo – sem nunca perder a pose e o status de um “grande nome”. Pela forma como apertei a mão dele ao me despedir, logo entendi que estava sentindo pena – de novo. Veio uma angústia lá no fundo e o pensamento de que o mundo sempre parece engolir a gente no final. Para aquele encontro, acompanhei um amigo, grande conhecedor de temas ligados a inovação e liderança. Ele logo percebeu meu sentimento e falou: “não fique com dó de ninguém não, porque ninguém tem dó de você nesse mundo”.  Como fazem parte do vocabulário dele palavras como mercado agressivo e marketing de guerrilha, eu desconsiderei um pouco. Levei comigo aquele encontro de duas gerações, do embate entre coronelismo entre empreendedorismo, e a sensação de que a vaidade jornalística perdeu lugar nessa bagunça chamada modernidade.

***

Civita e Carta, me aguardem.

Leave your comment

Related