Inconsciência negra

 

Para evitar ciúmes, não ousaria eleger uma favorita. Seria bairrista e carinhosa, como boa mineira, ao falar de um cantinho de Belo Horizonte que tanto me fascina. Sapucaí dá samba, mas em BH é rua. Assim como todos os mistérios que a capital mineira esconde, a rua Sapucaí é mais uma daquelas que parecem, mas não é. Quem passa no cantinho daquela rua antiga, jura que vê o mar. Mas quem passa é o trem – que para um bom mineiro, também pode ser um mar, um rio, um lago, ou qualquer coisa que o valha. É no final da Sapucaí que eu vejo Eduardo Marciano, personagem tão vivo de Sabino pelas ruas belorizontinas, sentado no alto do viaduto do Santa Tereza. É dali, sentada em uma mesinha de madeira de um bar charmoso, que vejo tudo o que BH é. Ou parece ser.

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