O contador de histórias

Detesto pessoas que dizem que queriam ter nascido em outra época, como se enaltecessem um passado que mal conhecem. (Esse é, inclusive, um ponto de discussão constante com meu namorado, que acredita que todas as épocas que o pai dele viveu foram muito mais incríveis que agora – o que eu atribuiria a capacidade que meu sogro tem de contar histórias incríveis, sempre com um olhar apaixonado). A despeito disso, desde pequena, eu sempre quis trabalhar como caixeiro-viajante. Não era uma opção “se nada desse certo”, era uma escolha. A considerar que eu cresci junto com a chegada dos computadores aos recantos brasileiros, o que me fez viciar em tetris, icq, orkut, facebook, pinterest e e-commerce, meu sonho sempre foi um pouco anacrônico.

Tudo bem que eu poderia atualizá-lo para um tipo de muambeira do Paraguai, ou contrabandista dos EUA, que parecem ser atividades igualmente divertidas. Mas a ideia de ser sempre recebida como quem traz as boas novas ao desconhecido e de vender histórias ao invés de produtos sempre me encantou.

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