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Portas abertas

Portas abertas

Seu Mário é, dia sim, dia não, um dos “bom dia” mais gostosos das minhas manhãs. Pacato, simples, agradável, ele, muitas vezes, supera nossa timidez mútua e resolve tirar as várias dúvidas que têm sobre outros lugares: “o que eles comem?”; “como que pode ser tão frio?”; “eles são meio estranhos, né?”. Quando meu pai, o síndico, passa, ele ouve, com um riso no canto, a encheção de saco: “ê Seu Mário, esse seu timinho perdeu mais uma, hein”. Quando meu namorado, atleticano, chega, ele fala: “Você viu?! Dessa vez não passa, vamos acabar com as maria!” e equilibra o placar das provocações. Nos nossos mundos distantes, a gente sempre se cruza atravessando a rua, no final do dia, no percurso que compartilhamos entre minha casa e o ponto de ônibus, e somos, naquele breve intervalo de tempo, sempre iguais.

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