SP

Nossa despedida de São Paulo não poderia ter sido melhor: fomos ao Mocotó, restaurante com jeito de boteco, mas comida fina. O dono, seu Zé, que fumava um cigarro na porta enquanto eu me deleitava, é um nordestino retirante que abriu o restaurante na Vila Medeiros na década de 70. Os pratos típicos do nordeste já faziam muito sucesso nas mãos do seu Zé quando um dos filhos dele, Rodrigo, decidiu estudar gastronomia. O resultado dessa mistura dá para ver na parede, com um tanto de prêmios pendurados, e na comida, que é indescritível – e essa não foi uma tentativa preguiçosa de uma jornalista que não quer descrever sabores. Ou é.

O que eu comi/bebi lá: caipirinha de seriguela com ameixa e de manga com pimenta rosa, torresmo, dadinho de tapioca, carne seca com cebola roxa e pimenta biquinho, mandioca e jerimum assado com mel e manteiga de garrafa e bolinho de feijão branco com linguiça. Sobremesa: sorvete de rapadura com calda de catuaba , cocada cremosa e creme brullé de doce de leite e umburana.

Quem precisa de capacidade descritiva nessas horas?

– O show do The Vaccines, no Cine Joia. Confesso que não conhecia muito a banda, mas fiquei com vontade de vê-los tocar depois que assisti ao show que fizeram no Coachella este ano e depois que li uma entrevista com eles na Folha, feita pelo Rodrigo Levino – observe que, neste caso, valeu mais ser o Levino (que eu amo), do que uma boa entrevista. O show foi curto, mas não menos empolgante. Deu uma sensação de assistir a um possível The Strokes dez anos depois, com uma casa menos cheia do que eu esperado. Com a parte engraçada de ver toda uma trupe indie que chegou horas antes do show, montou uma barreira na primeira fila e que, em breve, quando eles estourarem, vai dizer: “eu era fã primeiro”. Previsível.
Meu investimento no show foi metade pela banda e metade pelo lugar, que já tinha vontade de conhecer depois do polêmico show do Kings of Convenience, no ano passado. É lindo, viu! A saída para o show rendeu ainda um jantar-delícia em um restaurente do estilo “vira-direita-sobe-dá-três-voltinhas-faz-um-pedido-entra-em-um-prédio-que-parece-residencial-sobe-no-primeiro-andar-vira-a-esquerda-fala-a-palavra-mágica-entra-no-estabelecimento”. Resumindo, ele chama Mugui, pra quem quiser procurar no maps. Fomos com um casal de ascendência oriental (porque eu não sei dizer se eram japoneses, chineses, coreados ou sei lá o quê), que são amigos da Tatá e agora me devem uma visita com direito a almoço de vó no sítio.

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