Certa vez, expulsou com tiros na traseira um ladrãozinho que ousou invadir seu espaço. A força impositiva do bigode, no entanto, contrastava com a vulnerabilidade do seu rabo-de-cavalo. Toda vez que tentava “sassaricar” cidade afora, era com uma puxada no cabelo que sua mulher cortava suas asinhas. Ela, não tinha bigode. A força vinha, (que engraçado!), dos cabelos curtos e vermelhos cor de fogo.

O medo que muitas vezes deixou no padeiro, açougueiro e trocador do ônibus trouxera uma facilidade: ele era o único da região que podia pagar fiado. Boa pedida ou não, quando o bigode esbranquiçou, as dívidas continuaram.

Não só isso. A alma perdeu cor. O cabelo também esbranquiçou. O rabo-de-cavalo foi cortado pela mulher – já não pegava bem mantê-lo nessa idade. A altura, como se possível, diminuiu. E o respeito pelos fios negros se transformou em simpatia, brincadeiras, risadas e até mesmo solidariedade.

O símbolo de maturidade de certa vez, hoje denunciava que a velhice chegara. E esta, pobrezinha, não tem lugar na linha da evolução. Ela é o fim. Os fortes, negros e saudáveis pêlos de outrora hoje são de outros. Outros que pagam fiado, que desfilam pelas ruas, que “sassaricam” festas afora, que afugentam homens com tiros naquele que é o bem intocável de muitos deles: o traseiro.